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Para que serve o transplante de fezes e como é feito

O transplante de fezes é uma forma de tratamento que permite transferir fezes de uma pessoa saudável para outra pessoa com doenças relacionadas ao intestino, especialmente nos casos de colite pseudomembranosa, provocados pela infecção por bactérias Clostridium difficile, e pela doença inflamatória intestinal, como a doença de Crohn, sendo, também, uma promessa no tratamento de outras doenças, como síndrome de intestino irritável, obesidade e, até, autismo, por exemplo.

O objetivo do transplante fecal é regular a microbiota intestinal, que é o conjunto de inúmeras bactérias que vivem naturalmente no intestino. É importante que esta microbiota seja saudável, através de uma alimentação rica em fibras e evitando-se o uso de antibióticos desnecessariamente, já que ela influencia não só na saúde intestinal, mas pode ter efeitos sobre o desenvolvimento de doenças imunes, metabólicas e neurológicas.

Para que serve o transplante de fezes e como é feito

No Brasil, o primeiro registro de transplante fecal foi realizado em 2013, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Desde então, tem se mostrado, cada vez mais, que o transplante fecal pode ser útil para o tratamento de diversas doenças, como:

1. Colite pseudomembranosa

É a principal indicação para o transplante fecal, sendo caracterizada por uma inflamação e infecção do intestino pela bactéria Clostridium difficile, que infecta, principalmente, pessoas hospitalizadas em uso de antibióticos, já que ela aproveita a eliminação das bactérias intestinais saudáveis para se instalar.

Os principais sintomas da colite pseudomembranosa são febre, dor abdominal e diarreia persistente, e o seu tratamento, geralmente, é feito com antibióticos como Metronidazol ou Vancomicina. Entretanto, nos casos em que a bactéria é resistente, o transplante fecal é comprovadamente efetivo para conseguir reequilibrar rapidamente a flora intestinal e eliminar a infecção.

Saiba mais detalhes sobre o diagnóstico e tratamento da colite pseudomembranosa.

2. Doença inflamatória intestinal

A doença de Crohn e a retocolite ulcerativa são as principais formas de doença inflamatória do intestino, e, apesar de não se saber exatamente o que as causa, sabe-se que, além da influência do sistema imune, pode haver ação de bactérias pouco saudáveis no intestino para o desenvolvimento destas doenças.

Assim, a realização de transplante de fezes pode ser eficaz para melhorar ou, até, causar a total remissão da doença de Crohn, principalmente os casos graves ou de difícil tratamento.

3. Síndrome do intestino irritável

A síndrome do intestino irritável parece ter várias causas, como alterações no sistema nervoso intestinal, sensibilidade alimentar, genética e o estado psicológico, entretanto, tem se mostrado que, cada vez mais, a flora intestinal influencia na sua presença.

Assim, alguns testes atuais tem demonstrado que o transplante fecal é bastante promissor para um tratamento eficaz desta síndrome, apesar de ainda serem necessários mais testes para confirmar a possibilidade de uma cura.

Para que serve o transplante de fezes e como é feito

4. Obesidade e outras alterações do metabolismo

Sabe-se que a flora intestinal pode estar alterada em obesos, e há indícios de que estas bactérias modifiquem a forma como o organismo utiliza a energia vinda dos alimentos, e, desta forma, é possível que esta possa ser uma das causas da dificuldade para emagrecer.

Assim, os estudos têm observado que pode ser possível tratar, com transplante fecal, tanto a obesidade quanto outras alterações que determinam a síndrome metabólica, como hipertensão arterial, resistência à insulina, glicemia aumentada, colesterol e triglicerídios elevados, entretanto, ainda são necessários mais estudos para comprovar como deve ser este tratamento e para quem está indicado.

Além disso, deve-se lembrar que uma dieta rica em açúcar e gordura, e pobre em fibras, é uma das principais causas de desregulação da flora intestinal e a sobrevivência de bactérias maléficas, e, por isso, não adianta fazer um transplante fecal se não há uma dieta que favoreça a sobrevivência das bactérias boas.

5. Autismo

Observou-se, em um estudo científico, que pacientes com autismo que receberam o transplante fecal tiveram uma melhora dos sintomas, entretanto, ainda são necessários mais estudos para concluir que realmente existe uma ligação e uma influência deste procedimento para o tratamento do autismo.

6. Doenças neurológicas

Outra função promissora do transplante fecal é a possibilidade de tratar e reduzir os sintomas de doenças neurológicas como esclerose múltipla, distonia mioclônica e doença de Parkinson, pois tem se observado uma importante ligação entre a flora intestinal com as funções imune e cerebral.

Para que serve o transplante de fezes e como é feito

Outras utilidades possíveis

Além das doenças citadas, o transplante fecal tem sido estudado no tratamento e controle de outras doenças, como hepatite crônica, encefalopatia hepática, doenças hematológicas imunes, como púrpura trombocitopênica, e no tratamento de infecções generalizadas causadas por bactérias resistentes.

Assim, apesar de a terapia fecal já ser realizada há muitos anos na medicina, as descobertas do seu real potencial para a saúde são ainda recentes, sendo necessário que estudos médicos ainda comprovem todas essas promessas.

Como é feito o transplante

O transplante fecal é feito introduzindo-se as fezes saudáveis do doador no paciente. Para isso, é necessário coletar cerca de 50 g de fezes do doador, que deve ser analisada para se certificar que não têm a bactéria Clostridium difficile ou outros parasitas.

Em seguida, as fezes são diluídas em soro fisiológico e colocadas no intestino do paciente, através de sonda nasogástrica, clister retal, endoscopia ou colonoscopia, podendo ser necessária uma ou mais doses, a depender da doença tratada e da gravidade da inflamação intestinal.

Geralmente, o procedimento é rápido e não se sente qualquer tipo de dor ou incômodo.